terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Quero conhecer

Quero conhecer
O mundo da paixão
Uma paixão
Louca errante

Quero cometer
O pecado mais banal
De te esperar em meios,
Os lençóis macios
Abrir os meus braços e te acolher

Tatear teu corpo
De olhos fechados
De te sentir, te descobrir.
Inundar teu corpo
De beijos molhados

Quero sentir teu cheiro
Ouvir teu gemido
Sentir o teu corpo
Suado aquecido

A paixão louca
E desenfreada
Acontece hoje
Sem conseqüência

Deixa que a vida
Me leve nos sonhos
Eles são meus, só meu.
e seu tbm...

AMOR E SEU TEMPO



Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.

É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe

valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.

Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde.


Carlos Drummond de Andrade

A falta que ama



Entre areia, sol e grama
o que se esquiva se dá,
enquanto a falta que ama
procura alguém que não há.

Está coberto de terra,
forrado de esquecimento.
Onde a vista mais se aferra,
a dália é toda cimento.

A transparência da hora
corrói ângulos obscuros:
cantiga que não implora
nem ri, patinando muros.

Já nem se escuta a poeira
que o gesto espalha no chão.
A vida conta-se, inteira,
em letras de conclusão.

Por que é que revoa à toa
o pensamento, na luz?
E por que nunca se escoa
o tempo, chaga sem pus?

O inseto petrificado
na concha ardente do dia
une o tédio do passado
a uma futura energia.

No solo vira semente?
Vai tudo recomeçar?
É a falta ou ele que sente
o sonho do verbo amar?


-Carlos Drummond de Andrade-

Amar



Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.


Carlos Drummond de Andrade

O Amor

O amor nada mais é que uma escolha.

Optamos por amar.

Essa ou aquela pessoa.

Claro que o start está na química,

nas borboletas se revirando no estômago,

no friozinho na barriga,

no suor frio.

Mas se amamos,

é porque optamos por amar.

Escolhemos amar

. Se amamos,

é porque estamos predispostos a isso.

Nos abrimos a um sentimento que só nos faz bem.

Porque o amor que dói não é amor.

É dor.

 O amor que machuca é sofrimento.

 O amor que desanima é incômodo.

O amor com ciúme excessivo é doença.

 Ao abrir o coração - e a vida -

 ao amor, estamos abertos à possibilidade

de afago,

de carinho,

de tesão,

de companheirismo,

de amizade fiel,

 de sensações despudoradas,

de sentimentos intensos.

O amor não é vazio.

O amor não pode ser insensível,

egoísta,

mimado, abusado.

O amor nos dá,

sem hesitar,

 o sabor da vida,

o verdadeiro sabor da vida.


(AUTOR DESCONHECIDO)

A você, com amor



O amor é o murmúrio da terra
quando as estrelas se apagam
e os ventos da aurora vagam
no nascimento do dia...
O ridente abandono,
a rútila alegria
dos lábios, da fonte
e da onda que arremete
do mar...

O amor é a memória
que o tempo não mata,
a canção bem-amada
feliz e absurda...

E a música inaudível...

O silêncio que treme
e parece ocupar
o coração que freme
quando a melodia
do canto de um pássaro
parece ficar...

O amor é Deus em plenitude
a infinita medida
das dádivas que vêm
com o sol e com a chuva
seja na montanha
seja na planura
a chuva que corre
e o tesouro armazenado
no fim do arco-íris.


-Vinicius de Moraes-

MAGGIE

MAGGIE
Esta é minha linda filha.